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3 de ago. de 2010

Seção Aí meu Saco! por Elton Hélio

Patriotas por ocasião.

O árbitro apita o final do jogo. A seleção é desclassificada pela Holanda!
A Copa do Mundo aflora um sentimento patriótico incomum no brasileiro. Coisa que não vemos durante os três anos que antecedem a competição. Não vejo nenhuma mulher ficar acordada pra assistir Brasil X Bolívia pelas eliminatórias, ou Peru X Brasil pela Copa América. Agora ir no oba oba durante a Copa do Mundo é fácil. Torcer pela seleção só para matar aula ou trabalho também.
Agora assistir jogo do lado de quem não entende nada do assunto é dose. E não é só mulher, tem homem que mal torce pra um time, mas durante a Copa vira técnico. Pede pra tirar o Felipe Melo e por o Grafite, substituir Michel Bastos por Ganso, que nem foi convocado. Só falta pedir pra tirar o Júlio César e colocar o Nilmar...
Mas o pior de tudo mesmo é o pseudo-patriotismo. Eu conto às pessoas que não torço para o Brasil e me tratam como se eu tivesse lepra. Não sou obrigado a torcer para uma seleção de negócios, de cartas marcadas, de jogadores que pensam primeiro em um bom contrato, segundo no bicho, depois em sei lá o que, mas não em representar sua pátria, em realizar um sonho.
Patriotismo não é vestir uma camisa amarela, verde, azul, enfim, e sair gritando Brasil, com vuvuzela na boca. Torcer por um atleta brasileiro não me faz mais ou menos brasileiro. Torcer para alguém ou por algo vai além, é sentimento, afinidade. Será que só porque nasci em São Paulo, tenho que torcer pelo São Paulo F.C.? É a mesma coisa.
Será que quem torce pela Seleção Brasileira, também torce pelo Rubinho Barrichelo, Dayane dos Santos, Jadel Gregório ou Jade Abdul Ghani Gregório, sei lá, irmãos Hipólito e Jade Barbosa? Acho que não, esses caras pipocam nas competições de verdade. E não me venham com a desculpa que eles não têm apoio. Procurem os comerciais que esses atlétas já fizeram. E que apoio o Usain Bolt teve quando era um garoto jamaicano? Ele teve que mostrar seu valor, coisa que atletas brasileiros não fazem. Torcer pelo Rubinho Barrichelo é como torcer pelo Ituano. É torcer pela derrota, pela vergonha.
Patriotismo é querer mudanças, por isso que torço contra, pois só assim vai mudar algo.
Durante a Copa, o patriotismo barato levou o torcedor brasileiro a se comportar como pai de gay ou marido traído, em que sabe toda a verdade, mas insiste em se enganar.
Agora vamos imaginar um pronunciamento do nosso excelentíssimo presidente Mula: "- Companheros e companheras. Mais uma veiz fui covarde. Todos devi se lembrá do caso da Petrobráis com a Bolívia. Pois é, os Estadu Unidu e a Venezuela tão invadindo a Amazônha e precisamu de voluntário pra guerra!!"
Aposto que muitos desses patriotas fugiriam para o Paraguai.
Brasileiros, passou da hora de parar de se deixar levar por pensamentos globais alheios e realizar uma reciclagem mental. Decidir o que é válido pra si e formar uma opinião, mesmo que seja avessa a todos.
Mas se não estiverem a fim, foda-se. Tem quem pense por você.